terça-feira, 3 de maio de 2011

Além da sala de aula - 6o ano - CMRJ: Aprendendo matemática

Além da sala de aula - 6o ano - História

Acho que a interdisciplinalidade levantada pelo professor José carlos é bem interessante. Mas gostaria de ressaltar que as avaliações não apresentam estas características. São questões diretas, que necessitam de muita leitura e gravação de memória.

Gostaria de contribuir com um texto bem interssante tirado da revista NOVA ESCOLA.

Brancos e negros da terra
Em 1584, o padre José de Anchieta avaliou a população brasileira em 57.000 pessoas: 18.000 índios, 14.000 negros e 25.000 "brancos da terra". Esse termo abrangia algumas centenas de portugueses e milhares de mamelucos, filhos de lusitanos com mulheres indígenas. Estas eram as únicas parceiras disponíveis, pois as primeiras portuguesas - três irmãs - só desembarcaram no Brasil em 1551. Além disso, as uniões com as índias forneciam aos portugueses aliados e mão-de-obra. O exemplo mais conhecido foi o do ex-náufrago João Ramalho, que favoreceu a ocupação do planalto de Piratininga. Segundo o testemunho do padre Manoel da Nóbrega, escrito em 1553, "(...) Nesta terra está um João Ramalho (...) muito conhecido e muito aparentado com os índios. Ele e seus filhos andam com irmãs e têm filhos delas, tanto o pai como os filhos. Vão à guerra com os índios e as suas festas são de índios e assim vivem andando nus como os mesmos índios." (A Fundação do Brasil: Testemunhos (1500-1700), de Darcy Ribeiro e Carlos de Araújo Moreira Neto).

Desse modo, foram geradas as bases de uma cultura que não era indígena nem européia, mas uma combinação contraditória das duas. Nos séculos seguintes, os indígenas foram dizimados (veja quadro). Mas aumentaram os contingentes de "brancos da terra" e de escravos africanos. Calcula-se que entre 1550 e 1850, quando a Lei Eusébio de Queiroz pôs fim ao tráfico negreiro, cerca de 5 milhões de negros tenham desembarcado no Brasil.

A presença africana trouxe novos elementos para a cultura e para o processo de mestiçagem brasileira. Além disso, os três séculos de domínio escravista marcaram profundamente a vida social. Nem é preciso dizer que o preconceito racial foi uma herança da escravidão. Podemos mencionar ainda a distinção entre trabalho manual e intelectual. Os trabalhos mais pesados, que exigiam força física, estavam reservados aos escravos - e até hoje nossa sociedade valoriza o trabalho intelectual e paga salários miseráveis aos que executam trabalhos chamados braçais. Mais ainda, no Brasil colonial, pouco espaço sobrava para o homem livre e pobre. Não podia sujeitar-se ao trabalho manual, nem tinha ocupação que o mantivesse. A única solução era sujeitar-se ao senhor de engenho, tornando-se seu subalterno e apadrinhado. Nascia aí um modelo em que, na falta de um Poder Público que garantisse direitos mínimos aos cidadãos, erigia-se o poder privado dos senhores rurais.

Após a extinção do tráfico de escravos, o governo brasileiro passou a financiar a vinda de imigrantes europeus para o Brasil: a cafeicultura, em constante expansão, necessitava de braços. Entre 1880 e 1940 vieram mais de 4 milhões de imigrantes somente para o Estado de São Paulo. Levas menores foram para o Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A população de cidades como São Paulo duplicou. No entanto, a grande maioria dos imigrantes foi enganada por contratos que prometiam o paraíso, mas os transformavam no substituto mais barato do escravo negro. Muitos colonos trabalhavam sob feroz vigilância, sem poder deixar as fazendas. Surgiu daí um brasileiro de improviso, que foi expulso da terra natal e violentado em seus sonhos ao chegar na nova terra. Ele sonha em voltar à antiga pátria, mas reconhece que seu lugar é aqui. Cultiva tradições de seu local de origem, mas já o faz de maneira brasileira.

Em meio a tudo isso, poderíamos perguntar: quem são os brasileiros, afinal? Em primeiro lugar é preciso dizer: não são os índios, os negros, os brancos de Portugal ou de outros países. Não se trata de identificar raças, mas sim culturas e modos de organização social. O brasileiro constrói a sua identidade a partir dessa fundação plural, na qual estão presentes elementos da cultura européia, indígena e africana. Isso não quer dizer que vigora uma democracia racial no Brasil. Mas a superação do racismo não é uma luta somente da classe média negra ou do conjunto dos afro-brasileiros. É uma luta de todos aqueles que, independentemente da raça, fazem parte de uma cultura que se constitui pelo princípio da mistura e tem seus valores construídos e enraizados a partir dela.

Atividades (que acho bem interessante)
1. Peça aos alunos um levantamento das frases populares em que se que discriminam os negros. A partir daí, pode-se verificar como a cultura negra se insere na lógica de constituição da cultura brasileira.

2. Coloque em debate o racismo nos EUA e no Brasil, comparando as diferenças entre uma sociedade que define claramente o "lugar" de cada etnia e outra que parece fingir que não é racista.

A formação do povo brasileiro
No livro O Povo Brasileiro, Darcy Ribeiro calcula em 5 milhões a população indígena no momento da chegada de Cabral. Os grupos litorâneos seriam os primeiros a ser dizimados

Ilustrações: Jardim

Há no Brasil 50.000 "brancos da terra" - filhos de brancos com índias em sua esmagadora maioria – 30.000 negros, 120.000 índios integrados ao projeto colonial e 4 milhões de índios isolados

Ilustrações: Jardim

Há tantos escravos negros quanto brancos/mestiços. Mas a população indígena cai pela metade, vítima das doenças do homem branco e das campanhas de extermínio

Ilustrações: Jardim

O Brasil volta a ter 5 milhões de habitantes. Agora, porém, os índios são apenas 1,5 milhão - o mesmo número de escravos negros - enquanto os brancos/mestiços atingem 2 milhões

Ilustrações: Jardim

A imigração favorece o crescimento da população branca. Também aumenta o número de mestiços (pardos, em vez de "brancos da terra") e diminuem os contingentes de negros e indígenas

Ilustrações: Jardim

Entre os 162 milhões de brasileiros, 55,2% são descendentes de imigrantes e de "brancos da terra", 6% de negros e 38,2% de pardos. O número de índios tende a voltar a crescer



* não foram consideradas outras minorias

Veja também:

BIBLIOGRAFIA
O Povo Brasileiro
, Darcy Ribeiro, Cia das Letras - tel.: (11) 3707-3500 begin_of_the_skype_highlighting (11) 3707-3500 end_of_the_skype_highlighting
O que Faz o Brasil, Brasil?, Roberto DaMatta, Ed. Rocco - tel.: (21) 3525-2000 begin_of_the_skype_highlighting (21) 3525-2000 end_of_the_skype_highlighting

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