Conteúdos
Culturas indígenas da América e globalização
Habilidade
Perceber a diversidade da arte indígena e sua presença na sociedade contemporânea
Tempo estimado
(Duas aulas)
A reportagem focaliza a arte dos astecas, uma das mais importantes culturas existentes nos continente americano antes do século XVI. Os súditos de Montezuma estavam em boa companhia. Ao sul dos domínios do "último imperador" encontravam-se os maias, que também desenvolveram produções artísticas refinadas. Na América do Sul, salientaram-se as criações dos incas, senhores de um império andino que se estendia do Equador ao Chile. E também as peças de cerâmica e pedra de sociedades de estruturas mais simples, encontradas no atual território brasileiro.
Tudo isso remete à incrível riqueza da arte nativa americana, expressão de diversidade cultural. Explore com a turma os tesouros indígenas, com base na reportagem e neste plano de aula.
Atividades
1ª aula – Conte que, antes da chegada dos europeus, havia na América uma profusão de sociedades, desde as civilizações agrícolas e mercantis dos astecas, maias e incas, organizadas em Estados e cidades, até as estruturas menos complexas encontradas no atual território brasileiro. Entre elas estavam os Marajoara, Santarém e Guarita, da Região Amazônica, e os Tupi e os Guarani, que ocupavam a faixa litorânea. Todas desenvolveram uma refinada produção artística, sobretudo com seus artefatos cerâmicos e de pedra e sua magnífica arte plumária.
A chegada dos homens brancos contribuiu em muito para a destruição desses povos. Espanhóis, portugueses e ingleses, principalmente, se aventuraram a atravessar o Atlântico em busca de riquezas na América e trouxeram cavalos e armas muito superiores às dos nativos. Além disso, disseminaram doenças como a varíola, contra as quais os indígenas não apresentavam resistência, que acabaram por dizimar um enorme número de indivíduos. Desse modo, impuseram aos habitantes locais sua língua, estrutura social, religião e arte. Como informa a revista, os colonizadores consideravam os ameríndios como bárbaros, primitivos e ignorantes, simplesmente porque tinham um modo de viver diferente daquele do Velho Mundo. O europeu acreditava estar fazendo um favor ao “civilizar” os indígenas.
Grande parte das tradições nativas foi perdida, mesmo porque muitos desses povos acabaram completamente exterminados. No entanto, algumas marcas permaneceram, e contribuíram para moldar expressões artísticas que incorporaram elementos europeus e americanos. Foi o caso da chamada escola de Cuzco, que originou no século XVII um tipo de pintura que associava características da pintura barroca europeia a alguns traços da herança indígena do Peru. Destacam-se também, do mesmo período, os trabalhos elaborados por influência dos padres jesuítas nas Missões, aldeamentos criados para a catequese. Os missionários estiveram em diferentes regiões da América, como a Bolívia, o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai. A produção realizada pelos indígenas sob a orientação dos padres, embora seguisse a proposta católica, apresenta traços de sua própria visão de mundo. Alguns exemplos podem ser encontrados no Museu das Missões, localizado em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul.
Acrescente que gradativamente manifestaram-se alguns sinais da resistência dos grupos nativos e mestiços, com iniciativas voltadas à recuperação das raízes da América Latina. Por exemplo, a arte mexicana do século XX foi marcada pelas obras de pintores muralistas como Diego Rivera, David Siqueiros e José Clemente Orozco, que abordaram questões sociais, como as ligadas aos indígenas latino-americanos.
No Brasil, muitos grupos têm se preocupado com a preservação das etnias indígenas que não foram dizimadas, cuidando para que seu rico patrimônio não se perca.
É importante tornar claro que a ideia de “índio” como um termo generalizante corresponde a uma perspectiva deturpada da realidade. Trata-se ainda de um resquício da visão do colonizador, que nivelava os nativos, considerando-os idênticos. O território brasileiro conta com uma grande diversidade de nações, cada uma com idioma, costumes e mitos próprios – ticuna, karajá, assurini, kayapó, bororo, araweté, baniwa, canela, kadiwéu e tantas outras. Sugira uma rápida pesquisa na internet sobre a arte desses grupos.
Examine com os alunos as imagens obtidas na investigação, correspondentes a objetos representativos das artes indígenas como a plumária, a cestaria, a tecelagem e a cerâmica. Enfatize a riqueza desses itens, intimamente ligados a todo um universo de crenças que refletem uma profunda e respeitosa relação para com a natureza. Comente, ainda, a respeito dos mitos e lendas indígenas, que guardam algumas de suas mais ricas tradições.
Para a aula seguinte, peça que os estudantes ampliem o foco e realizem um levantamento de imagens referentes ao indígena ontem, hoje e amanhã. As imagens devem ser levadas para a sala de aula juntamente com cola, tesoura e cartolina branca.
Diadema bororo: usado pelos homens em rituais e cerimônias. Foto: Museu de Arqueologia e Etnologia da USP – SP/reprodução
São Lourenço: obra em madeira policromada do século XVIII.
Foto: Museu das Missões- RS/reprodução
Foto: Museu das Missões- RS/reprodução
| Vaso de Cariátides: obra da cultura santarém. Foto: Museu Paraense EmílioGoeldi/reprodução |
O processo chamado de globalização cultural não é igualitário e concede as melhores oportunidades aos países desenvolvidos. Assim, as expressões populares, nascidas e enraizadas nos costumes do povo, correm sério risco de desaparecer, já que interesses poderosos tendem a se sobrepor aos dos países periféricos.
Divida a classe em grupos e proponha análises seguidas de debates a respeito das mudanças provocadas pela globalização. Um dos temas pode ser a influência na cultura dos diferentes países, desde o fast food, até o constante uso de palavras extraídas da língua inglesa. Também pode ser discutido o modo como os indígenas estão impregnados pela cultura do “homem branco”, usando camisetas e calções de náilon, embora ao mesmo tempo se esforcem para não perder a identidade.
Para terminar, os grupos devem realizar uma colagem tendo como tema “As culturas indígenas e a sociedade contemporânea”. Para isso, leve-os a utilizar materiais levantados em livros, jornais, revistas e sites, observando sempre as questões que envolvem a multiculturalidade desses povos. É possível, por exemplo, explorar imagens de uma mesma etnia em diferentes épocas.
Ao final, as colagens podem ser reunidas, compondo um único painel para ser exposto na escola.
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